17 Março 2012

BTL

Aconteceu a Bolsa de Turismo de Lisboa mas Óbidos andava mais ocupada a estoirar dinheiro em festas.

O curioso é que depois nos vendem a ideia que o turismo é a solução para o concelho....
Marca Óbidos, chiculate de Óbidos, ginja de Óbidos, fantasias de Óbidos, maçãs de Óbidos, sete maravilha de tolice, etc, etc, etc....

Onde estavam as ovelhas negras?

Dívidas

Miguel Relvas diz que a dimensão das dívidas é elevada - isto é notícia

A oposição em Óbidos anda a dizer o mesmo há anos, mas isso nunca é notícia.

O resultado desta comunicação social local que não gosta de se incomodar, nem de incomodar o poderzinho é que agora quem vai pagar a factura somos todos nós!
E dispenso-me de falar no rebanho que segue as ovelhas negras.

Insistir é forçar

O correio da manhã, que não perde uma sensacionalista, afirma que que um pirómano persegue casal de lésbicas.

Casal???????????????

Cuidei, numa primeira leitura que fosse numa moto casal, mas depois percebi que estava a ser fracturante,


09 Março 2012


O LIVRO DO P.R.

Este início de serão fui alertado para o lançamento de um livro do P.R., do qual passaram na TV alguns estratos; lidos e escritos, para nos abrir o desejo de procurar a magna obra literária. Ou para a deitar abaixo?.......
........
Pobre Portugal, que nem sequer tem um Presidente venerável, como pessoa além do cargo.
http://vivenciasdevirella.blogspot.com

Isto já quase não é um país!

O actual presidente da república está cada vez mais empenhado em acabar de vez com o actual regime! Se tiver o mesmo sucesso que teve com a agricultura, as pescas e o sector produtivo do nosso país a vitória é certa!

Confesso que, caso consiga acabar com a república, tal o esforço, dedicação e empenho, passará definitivamente a um dos heróis da nação.

08 Março 2012

Vou pecar, eu sei

Vou pecar e sei que a caixa de comentários vai estalar com ordinarices, mas não sou capaz de me calar.

"Carlos Pinto Machado, presidente da Comissão Politica Concelhia do CDS-PP em Óbidos, apela à população para que eleja uma instituição de utilidade pública de Óbidos (...) para quem seja revertido 0,5 % do IRS já liquidado de cada um."

Ou seja "Ó vocês, está uma aqui uma ideia ideiazinha para vocês fazerem uma qualquer coisa por alguém."

“Gostaria também de mencionar que existe um grupo ligado à Igreja Católica que se dedica ao apoio social com grande dedicação, refiro-me aos “Guias de São Lourenço”, que creio que não pode ter esta comparticipação em sede de IRS. Quem quiser ajudar os “Guias de São Lourenço poderá fazer chegar o seu contributo em géneros alimentícios aos seus responsáveis, que certamente se encarregarão de os distribuir pelos mais carenciados do concelho”, revela Carlos Pinto Machado.

Ou seja "Falaram-me nesta gente, e eu não sei bem quem são, mas ajudem lá a rapaziada, oK?"

E foi ao longo de um ano de Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP o seu melhor, senão o único mesmo, pensamento com que brindou a população, o concelho e o país.

Foi para este lindo serviço que o cavalheiro dedicou 5 anos da sua via a insultar a oposição?


Pelos vistos, e pelo comentário que aqui escrito, cada um dá o que pode. É inútil, sumamente inútil, admitir que algo pode um dia ser diverso da sua natureza.

07 Março 2012

APOSTAMOS?


Existe uma crença cristalizada no rifoneiro popular que afirma: NÃO HÁ FOME QUE NÃO DÉ EM FARTURA, ou a equivalente NÃO HÁ MAL QUE CEM ANOS DURE.

Lembrei estas máximas por uma questão muito mais rotineira, mais banal, e bastante conhecida pela experiência dos habitantes, tanto desta zona como de outra qualquer. Quando já estamos mais do que habituados a um período de seca, e fartos de sonhar com uma bendita chuva que não aparece, de repente pode cair encima de nós um temporal de água que faça transbordar todas as linhas de escoamento existentes.

Como, infelizmente, só nos lembramos de Santa Bárbara quando há relâmpagos, raios e trovões, penso que seria muito prudente dar uma vistoria, ou melhor, uma limpeza intensiva, nos leitos do Arnoia e Real. Uma tarefa que pode parecer dispensável, ou que é da responsabilidade de outros, sejam eles quem forem. Em verdade ninguém se sente responsável e não nos incomoda que a culpa, caso existir, fique solteira.

Dar atenção a este memo implicaria, como é inevitável, uma despesa em pessoal e equipamento, sem que se possam prever receitas de bilheteira ou negócio para os comerciantes e hotelaria. E sempre existirá a possibilidade de que as tais chuvadas intensas não aconteçam. Apostar na boa sorte é aconselhável, ou é preferível prevenir? A primeira opção equivale e negligenciar e a esquecer ocorrências relativamente recentes. Pelo menos assim penso, e inclusive pode acontecer que outros pensem no mesmo sentido.

ERA INEVITÁVEL

Durante anos habituei-me a ouvir dizer que aquilo que se faz num concelho, mesmo pequeno e sem importância relativa, corresponde, sem tirar nem por, a uma amostra fidedigna de como é desgovernado o País. Primeiro tive uma certa relutância em admitir esta generalização, mas não tardei em considerar que o juízo estava certo.

Aliás, se transferirmos esta noção para as previsões dos comícios eleitorais, ficamos a saber que em cada país se determinou um pequeno concelho que, por ser dos primeiros em que se terminam as contagens das urnas, serve de barómetro, quase que infalível, de qual será o resultado final da contagem nacional. Isso no caso de não se fazerem as chapeladas a que a humanidade abusiva é tão propensa.

Há um tema, concreto, que hoje saltou às primeiras páginas dos jornais, mas que tinha o rabo de fora desde meses ou anos. Falta saber se vão exigir-se as responsabilidades pertinentes, nem que para isso tenham que existir pressões do exterior, ou seja, porque estes desencontros económicos não sejam boamente aceites, como até agora tem sucedido, pelos que nos observam, seja desde Bruxelas ou quando, periodicamente, nos visitam para fingir que acreditam nas contas que, espertamente, lhes são apresentadas.


O capítulo que hoje ocupa as parangonas é bem conhecido de quem se entretêm a seguir os factos nacionais. Concretamente os abusos que se tem cometido com as verbas contabilizadas na Renovação do Parque Escolar. Diz-se que estão avaliadas em cinco vezes mais do que os orçamentos de partida. Uma inflação que sempre se procurou justificar, com argumentos bem montados e as correspondentes memórias descritivas, mas que no fundo são avaliadas como artifícios preparados a fim de conseguir mais verbas vindas da União Europeia, que suspeita-se, podem ser distribuídas, irmãmente, entre entidades e pessoas ou empresas que estiveram envolvidas nestas obras.

Entre nós, o deputado municipal independente, mas enquadrado no PS, Eng.º José Machado, sempre rigoroso mas educado, quase que medindo em excesso as suas palavras, tem sido tenaz em mostrar o seu desacordo com muitas das verbas, a seu critério excessivas, que tanto neste capítulo como noutros, onde se pode imaginar que exista a possibilidade de, nos projectos apresentados, não se terem estudado exaustivamente os diferentes capítulos, ou inclusive que algumas parcelas se mostrem suspeitosamente inchadas. Surgindo sempre a suspeita de um misto de incompetência, urgência perniciosa ou, que estes desvios pretendem conseguir mais dinheiro do que o oferecido.

Já desisti da visão utópica de que a crise económica nos tornasse mais correctos e sensatos. Mesmo sendo do conhecimento geral que aquilo que estamos a pedir do exterior não só se destina a amortizar alguma dívida, liquidar alguns juros (exorbitantes?) mas também a alimentar os nossos estômagos, pois nem sequer temos trigo para preparar o pão (nosso de cada dia). Não, a sensatez, a vergonha, a correcção e senhorio, indispensáveis para que nos considerem minimamente respeitáveis, já se viu que não entram no espírito de ninguém, e muito menos naqueles que podem decidir. Só à força de bastonada é que se entra nos eixos. É uma pena, mas é a realidade. Quando nos tratam como cavalheiros há sempre alguns que entendem que podem continuar a ser velhacos.

UMA NOTA FINAL- Não pedi autorização ao deputado municipal José Machado porque as suas palavras, que não transcrevemos, foram ditas publicamente em sessões da Assembleia Municipal.

06 Março 2012

A PSIQUE


Apesar de que a minha formação académica fosse orientada para os domínios da técnica e do visível, a possibilidade de poder interpretar a mente humana sempre me cativou. Ler documentação sobre estes temas, e ouvir palestras ou ler entrevistas, podem ter-me dado algumas pistas, ou mesmo noções, de como os estudiosos consagrados avaliam as diferentes formas de actuar e reagir das pessoas. Mas permanece a ideia de que, mesmo os mais preparados, ainda admitem que ignoram muito daquilo que os preocupa. Uma comparação que se encontra com frequência é que o nosso cérebro é tão complexo e difícil de escrutinar como pode ser o espaço cósmico.

Um dos comportamentos que a sociedade rejeita, por se sentir alvo de consequências desagradáveis, é o dos PSICOPATAS
Logo de entrada nos elucidam de que o psicopata é um indivíduo muito capacitado para manipular, astuto, engenhoso, capaz de actuar com aparente total normalidade, que inclusive pode destacar-se por acções meritórias, mas onde sempre existe, de um modo subjacente, o carácter pessoal de não encontrar, em si mesmo, a empatia nem a preocupação pelos efeitos perniciosos que causa, de um modo sistemático e premeditado.

A noção mais estendida entre os especialistas é de que temos milhares de psicopatas entre nós, pode ser o teu chefe, o teu amigo, o teu irmão, o professor, e possivelmente seguem um trajecto de destruição sem ter consciência disso. Referem como sintomático que o psicopata carece de empatia ou de consciência, por isso descobrem com facilidade esquemas que conduzem a actos anti-sociais sem sentirem o mínimo peso na consciência.

O psicopata não sofre de angústia pessoal, não se sente culpado de nada, não tem problemas. São os outros que causam e tem problemas. Além disso, ao longo da sua vida, interferem com centenas, ou mesmo milhares de pessoas, de modo que o seu impacto na sociedade é muito maior do que se imagina.

O psicopata constrói-se por si, não se tendo provado que seja uma consequência do ambiente familiar ou do meio social. Ele é um autodidacta habilidoso no engano, habitualmente com delírios de grandeza, e irresponsabilidade assumida. Eles jamais se identificam como tais, mas sim as suas vítimas.

FRASES IDIOMÁTICAS

Uma das coisas que mudam com certa rapidez, e que deixa os mais velhos desfasados da actualidade, são as palavras de moda e as frases idiomáticas, com as quais nos habituamos a enviar mensagens, de certa forma cifrada e em poucas palavras, confiando em que aquele que a recebe, sabe a história e por isso a interpreta com a amplitude com que se deseja seja entendida. Muitas destas frases feitas são, simultaneamente, muito directas e ambíguas, pelo que tanto se podem interpretar como ofensivas, fingir que podem ofender, ou, pelo contrário, dar atenção exclusiva ao seu conteúdo subjacente. O mesmo sucede com muitos ditados populares, que não dizem nada que corresponda às palavras utilizadas.

Sendo assim é pertinente admitir que, as pessoas com vontade de procurar agulhas em palheiro, aproveitem qualquer oportunidade, para umas vezes ameaçar e noutras insultar, sem pensar que com estas façanhas quem fica pior é ao autor e não aquele que pretendiam fosse o alvo indiscutível. Educar indivíduos destes não é tarefa fácil, nem que se recomende.

Aceitando uma desactualização sinto que referir negociantes de gado ungulado, que sendo bons profissionais conhecem mais o artigo do que os compradores, ficaram com a fama de que nem todas as capacidades que relatam correspondem estritamente à realidade. De entre este profissionais os de etnia cigana são aqueles que, popularmente, se consagraram como menos merecedores crédito. Tal como em tudo, tem que haver bons e maus, melhores e piores. Nesta altura será mais contemporâneo dar como referência o negociante em carros usados.

Estranho...

Ontem, e infelizmente uma empresa industrial de Óbidos sofreu um incêncio. O Senhor Presidente que geralmente não perde uma oportunidade para se pôr à frente de uma câmara de televisão, nem sequer mandou o eterno "vice a ser".

Nem uma palavrinha pelos 100 empregados?

Ou o concelho é só as palhaçadas do chiculate e as pessoas que se .......?

Ainda há quem queira levar este andor?

04 Março 2012

CIANOBACTÉRIAS E MINHOCAS

Há coisas que conhecemos e outras que julgamos conhecer. Isto do conhecimento é como o tear de Penélope, que jamais ficava pronto. Por isso em cada momento pode incrementar o nosso saber com algum pormenor interessante. Provavelmente não nos servirá para grande coisa, mas pode ser que nos dê algum sossego ao espírito, coisa que sem dúvida necessitamos.

Para quem sabia, as cianobactérias admite-se que foram dos primeiros seres vivos que sugiram na face da Terra, e que, sendo microscópicos ainda existem por aí. A sua especialidade é a de libertar o oxigénio, fixando azoto e fósforo. Conseguem a energia indispensável por fotossíntese. Admite-se que foi a sua capacidade de libertar oxigénio que deu lugar à atmosfera, que permite que todos os animais vivam, incluído o homem. Devemos a vida a estes seres que não se conseguem ver a olho nu. Tem o aspecto de vermes de cor quase sempre esverdeada.

Há outro ser vivo a quem também devemos muito, até um monumento. Desta vez o alvo é um animal, mais evoluído na escala, mas com um corpo semelhante ao das referidas cianobactérias. Podem alcançar até 20 cm de comprimento: as minhocas.

O que é que as minhocas tem feito, e continuam a fazer, para que mereçam ser respeitadas? Com o seu trabalho de sapa, subterrâneo, são elas que conseguiram transformar a terra estéril em solo arável, capaz de servir de alimento e suporte à vegetação. Muitos sabemos da tecnologia que promove a venda de lotes de minhocas vermelhas para produzir adubo. É um negócio relativamente recente, Será mesmo uma novidade? Nem por isso.

No Egipto dos faraós sabia-se da importância das minhocas para arejar os solos e fertiliza-los depois de digerir a terra. Aquela importante civilização reconheceu a importância destes vermes até o ponto de determinar que seria castigado quem se soubesse que matava minhocas. Aristóteles, também sabedor da actividade primordial destes anelídeos, os chamou de “intestinos da terra”

Investigações e experiências científicas demonstraram que uma população de minhocas pode transformar, num prazo de trinta anos, uma terra estéril numa verde pastagem. Pode parecer excessivamente longo para a dimensão da vida humana, mas elas tem trabalhado a terra desde milhões de anos atrás, e são a maior esperança da humanidade para regenerar, algum dia, as terras que os homens temos contribuído a desertificar.

Há mais seres vivos a quem devemos muitas colaborações valiosas, e que devem ser conhecidos de todos nós. Recordar estes factos pode servir para nos fazer descer do pedestal de máximo elo da evolução na Terra em que, vaidosamente, nos colocamos.

03 Março 2012

DUZENTOS MIL


E porque não quinhentos mil, ou mesmo um milhão? Postos a fantasiar não vale a pena fazer apostas pequenas, só assim o prémio pode corresponder à ousadia.

E quando o patrocinador descobre que lhe deram previsões em desacordo com a realidade pretérita? O que faz? Até agora escolheu sair de cena e não fazer ondas, provavelmente envergonhado por se ter enfiado num conto de fadas, para não lhe chamar conto do vigário, pois que pode ser tomado como insultuoso, apesar de ser uma imagem bem corrente na linguagem coloquial.

Nada impede que um dia, um dos felizardos da sequência de enganados, se lembre de litigiar baseado no facto de lhe terem apresentado dados falsos. É pouco provável, pois repito que é penoso aceitar publicamente que o cigano nos vendeu um cavalo inútil. Mas não deixa de ser possível. E quando existe uma probabilidade em contra não se deve dormir descansado.

01 Março 2012

UMA REDACÇÃO ESCOLAR

Dias atrás apareceu em casa um sujeito incumbido de “contar a luz”, mais propriamente de apontar aquilo que o contador que regista o consumo de energia marcava na ocasião. Aquele aparelho está fechado numa casinhota, cuja porta tem uma fechadura cheia de manias, que tanto pode abrir de seguida como carecer de várias tentativas até acertar no ponto. Foi o que aconteceu. Eu a dar à chave e o homem à espera. Via-se que estava um pouco impaciente. No intuito de distrair o funcionário disse-lhe que podia começar a contar. Ele olhou para mim com cara de pasmo, o que não me admirou uma vez que a porta mantinha-se na sua, fechada. Então eu, fingindo que falava a sério, disse que era fácil, que bastava iniciar com qualquer coisa no estilo: “Era uma vez uma luz pequenina…” Aí abriu os olhos e o sorriso enquanto dizia: Isso era contar um conto, e eu venho contar a luz!

Entretanto a porta abriu, e tudo voltou à normalidade. Ele levou uma história de malucos para contar aos colegas e à família. E de graça!

E agora vou contar uma outra história, inventada e maluca.

Era uma vez um edil qualquer, numa terra qualquer. Este Vizir, por ter um olho, como o Ciclope, numa terra de cegos, julgava-se ungido por Deus, ou quase. O seu feudo, ínfimo e pobre, imaginava que o faria progredir com base num passado pouco notável e com iniciativas “fabulosas”. Vendo que todos os seus atrevimentos passavam, como cão por vinha vindimada, no meio das enormes falcatruas que se sucediam por tudo quanto era sítio, foi ganhando coragem e entendeu que aquilo de quem não arrisca não petisca era verdade. Com o único pormenor, mas de suma importância, que a maior parte das suas habilidades deviam estar orientadas de forma a conseguir trabalhar com dinheiros europeus e o resto à base de empréstimos e dívidas. Inchar o balão continuamente, sem medo de que estoirasse, pois viam-se voar, qual passarolas de Gusmão, balões muito maiores. Quem se ralaria por aqueles míseros milhões de euros? Aquilo não passava de pevides e amendoins comparativamente com aeroportos, comboios de alta velocidade e outras negociatas.

Os projectos sucederam-se sem descanso. Ainda não se tinham acalmado as águas de uma iniciativa prodigiosa que já se anunciava outra, mais cativante do que as anteriores. Não deixava tempo livre nem para respirar! Houve quem entendesse que podia dedicar algum do seu tempo a listar todas as anunciadas mudanças e iniciativas, convencido que, perante aquela enormidade de promessas não cumpridas o artista entraria em razão. Não conhecia o pano. Ou melhor, sabendo que os cegos continuavam invisuais, insistiu nas suas tretas.

Para poder manter aquele andamento sentiu ser indispensável rodear-se de imensos colaboradores, gente que passou a dever o favor do ordenado, que provavelmente não conseguiria noutro sitio, e que lhe garantissem uma numerosa corte de fieis, que é um dos sintomas característicos dos lunáticos com poder. Contratou e contratou, sempre mais “especialistas”, em tudo aquilo que lhe passava na cabeça, como se governasse na capital do Império, que por sinal já deixou de existir.

Aquelas equipas multidisciplinares podiam encarregar-se de qualquer iniciativa, prepararem estudos, projectos, memórias, desenhos, maquetas e até cortejos históricos. Mas não bastavam estes profissionais para tantas ideias. Ou não podiam render aquilo que os esquemas de contabilidade criativa possibilitam.

Era mais rentável encomendar a um amigo, provável parceiro do seu partido, para que fizesse um projecto bonito, com muita tralha (leia-se: pareceres, memórias descritivas, plantas, alçados, cortes, estudos ambientais, arquitectura paisagística, previsões de futuro, etc.), bem inchado, com uma conta de espantar. Servia para apresentar na Europa e conseguir uma participação. Até um aluno da primeira classe entende que neste jogo sempre caem bons bocados ao chão, e que se podem apanhar sem problemas. Se os projectos avançam e terminam, isso é coisa de pouca monta. Passados uns meses já ninguém se lembra, os dinheiros sumiram-se e já se avançou com mais algum, ou alguns, projectos maravilhosos.

As coisas neste conto mantiveram-se sempre na bola de neve, acelerando em movimento contínuo, sem receio de cair. Só se acredita nos anexins que nos convêm, por isso permanece no esquecimento aquele que anuncia que quanto mais se sobe, de mais alto se cai. Preferem o que diz, que enquanto o pau sobe, descansam as costas; e se ainda não caiu a primeira paulada quem é que pensa num penar?

Em 2005

Foi distribuído um livrinho cheio de promessas e fantasias. Chamava-se "Visão Estratégica".

Não era clara qual é que era a estratégia, mas, hoje, começamos a ter bem clara a ideia de que a estratégia era como levar o concelho à ruina.

Assunção Cristas

É simpático ouvir da Ministra que o que andei a defender para o concelho de Óbidos se vá aplicar no país.

Aquele ditado que diz que a verdade há-de vir ao cimo é muito interessante...

Conversas cruzadas

Houve um programa em que disse que achava muito mal, despropositado e má gestão o facto de a Câmara se ter endividado e, isto então achei inacreditável, que tenha escolhido a carência de capital por 5 anos. Disse que, e para uma gestão correcta, próximas verbas extraordinárias vindas dos empreendimentos deveriam ser utilizadas para abater as dívidas. Isto era a voz do CDS da altura.

Hoje este comentário é quase uma evidência face ao estado do país. Mas o certo é que aceitaram, votaram e apoiaram o conceito socrático da eternidade das dívidas.

Não se queixem. A culpa é vossa. Votaram e escolheram esta gente. E não digam que não foram avisados, porque isso não é verdade.

esclarecimento

Diz um comentário" Estranho é que as dividas das autarquias, para além de serem obscenas, estão todas contabilisticamente manipuladas, se não como se explica que a Óbidos ainda não tenha sido feita uma investigação séria e imparcial. Quando isto acontecer esperemos ver os responsáveis atrás das grades."

Eu não desejo, nem espero, nem sugiro a prisão para ninguém. Tanto mais que basta olhar para o caso de Oeiras para verificar o que é que isso pode significar.

O que verdadeiramente deveria ofender todos é como é que pessoas de bem insistem em levar ao colo, apoiar e manter estas pessoas onde estão. Não se percebe como é que ainda não deram o passo em frente e se consciencializaram que são tão culpados como eles na crise que nos atinge. É que votaram neles e, bizarria das bizarrias, ainda os apoiam!

29 Fevereiro 2012

Do Correio da manhã

"As câmaras e as empresas municipais devem cerca de dez mil milhões de euros, uma dívida equivalente a 12% do total do resgate financeiro que Portugal recebe da troika, de 78 mil milhões de euros ou 5% do PIB. Os dados constam do ‘Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses’, que foi ontem apresentado pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC).
As 308 câmaras do País deviam ao Estado e a fornecedores, em 2010, perto de 8,2 mil milhões de euros, aos quais se somam 1,2 mil milhões de 304 empresas municipais e 290 serviços municipalizados. Há autarquias que chegam a aumentar o seu endividamento em 60% face aos valores de 2009, como é o caso de Portimão. O passivo da autarquia aumentou 55 milhões de euros. O estudo revela ainda que cerca de um terço dos municípios demora mais de seis meses a saldar as dívidas aos fornecedores.
A explicar este aumento da dívida do sector local está o facto de os municípios fazerem "previsões de receitas exageradas", que não conseguem arrecadar, segundo João Carvalho, um dos autores do estudo, que estima em 1,5 a dois mil milhões de euros as necessidades das câmaras municipais para pagarem as dívidas de curto prazo.
Lisboa é a câmara mais endividada, com um passivo de quase 1,1 mil milhões."

Lembram-se de alguém dizer que era ridículo apresentar orçamentos de 40 milhões? E quem é que levava os andores destas fantasias? E quem é que os defendia?

28 Fevereiro 2012

CASTELO OU CIDADELA ?

No Diário de Notícias do dia 27 de Fevereiro encontra-se uma notícia, daquelas que são enviadas com requerimento de publicação, que se tem todo o aspecto de ter sido redigida pelo Senhor José Parreira, administrador executivo da empresa municipal Óbidos Patrimonium (sic), o seu conteúdo lamenta que, por parte das entidades oficiais, não tenha sido dado seguimento a uma sua ideia brilhante, na qual propunha criar uma rede de todos os monumentos nacionais. Não le ligaram!

Além de que muitos sabem como se conseguiram os milhares de votos necessários para qualificar o castelo de Óbidos entre as sete maravilhas nacionais, que não passou de uma iniciativa comercial privada, e onde pretender colocar-se em pé de igualdade com a Torre de Belém, mosteiro dos Jerónimos, ou Palácio da Pena, chega a ser ridículo, sem que com isso pretenda (eu) desmerecer os valores de Óbidos. Simplesmente tem outra dimensão.

Além disso acontece que existe uma grande confusão na identificação das coisas. Aquilo que mais impacto visual proporciona a Vila de Óbidos é a sua extensa muralha, reconstruída e conservada. O que vemos é uma cidadela, não um castelo.

Castelo é outro espaço, bem identificado, situado no ponto mais elevado do promontório. Infelizmente este castelo, que se conseguiu qualificar como maravilha nacional, ao estar cativo de um estabelecimento hoteleiro, comercial e com gestão privada, não é propriamente um local visitável para aqueles que, num hipotético circuito maravilhoso, viessem até esta Vila cercada.

Se alguém pensar que o facto der não poder usufruir do castelo, a não ser desde fora ou instalando-se como hóspede, fica compensado pelo cenário fictício que se instalou na cerca, então, coitados de nós, e da imagem de irrealismo que damos ao exterior.

ajudem o rapaz

Diz o correio da manhã que Sócrates anda à procura de colegas de curso.

O problema é descobrir qual o curso a que se refere...

21 Fevereiro 2012

O RESTO É PAISAGEM

Sei que hoje, com ou sem tolerância de ponto (leia-se feriado) pertencia que escrevesse um texto galhofeiro, com muito humor e saudade. Saudade tenho, por corresponder a uma boa recordação, pois foi num Carnaval que conheci aquela com quem viria a casar. E disso passaram já 57 aninhos! Mais tristeza me traz este dia de Entrudo português, porque me traz à memória um conselho paterno, que posteriormente encontrei em outras pessoas, mas que para mim ele é o primeiro. Dizia ele. Quando não tenhas a certeza de ser obedecido, é preferível não dar a ordem.


Tempos atrás o P.M. ministro, hoje Presidente da República (ausente), teve o atrevimento de querer alterar os costumes, e viu-se como escorregou. Hoje estamos quase na mesma. Não totalmente porque há sempre una minoria de temerosos que não se atreveram a contrariar sem o resguardo de uma segunda opinião que lhes permita saltar por cima impunemente. Um tema que pode ser curioso. Ao contrário dos nossos vizinhos, o estereótipo do português não é precisamente o ser engraçado, divertido. E, escondido por trás do seu bom comportamento, encontram-se indivíduos com bastante humor e desejosos de se expandir.


Em Espanha, pressionado pela Santa Madre Igreja Católica, o generalíssimo Franco interditou, durante décadas, os festejos carnavalescos. Mas bastou que a população sentisse que podia pôr o nariz fora do saco para que, de norte a sul se lançassem, desbragadamente, a carnavalar com mais fúria do que por cá. O que, de facto, não é de admirar, pois se alguma coisa os distingue é o de serem mais festeiros, ruidosos, barulhentos e irreverentes. Mais mediterrâneos, em suma. Ontem passou por casa um casal de amigos. Vinham para almoçar, mas chegaram bastante atrasados. Argumentaram que ao tirar o carro da garagem viram que o depósito de gasolina estava quase no fim. Era pertinente não se dispor a ir de Lisboa até Oeiras sem uma garantia de não ficar parados pelo caminho. O problema com que se encontraram é que, desde um bom par de anos para cá, tem ido desaparecendo as estações de serviço que estavam situadas no meio da cidade. Agora é necessário deslocar-se para a periferia. Fazendo figas meteram-se a caminho para ver se encontravam, pelo caminho, uma gasolineira que não tivesse optado por fazer ponte. Tiveram a sorte que mereciam.


O tema serviu de entrada nas conversas de velhos conhecidos, e o argumento que todos aceitamos era o facto de que abastecer de combustível no meio de pessoas circulando, num local rodeado de casas de habitação ou edifícios públicos, é uma situação de risco que se deve evitar. Apoiamos a decisão por unanimidade, mesmo que possa causar pequenos incómodos, por falta de atenção à agulha avisadora, e até à luzinha vermelha.


Lá para o fim da conversa, e antes de abordar novos temas, alguns bastante antigos, comentou-se aquela sentença, do tempo “da outra senhora”, onde se afirmava que Portugal é Lisboa, e o resto é paisagem. Admitimos que, com o crescimento das Vilas e Cidades da orla costeira, e não só elas, Portugal conseguiu gerar mais pólos populacional, comercial e serviços, de vida em fim, do que exclusivamente a capital, e daí que a mesma norma de prudência quanto ao manuseamento de combustíveis estava sendo aplicada por todo o território.


Todo? Não escrevo mais! Já vou em 581 palavras e cada leitor pode ser que conheça alguma excepção a esta norma. E até que servisse de argumento para medalhar alguém.

19 Fevereiro 2012

POSSO RECOMENDAR ?

Quase que é meter-me na vida alheia, mas penso que não é uma falta de respeito o indicar que considero ser uma boa escolha o comprarem, e ler com atenção, o JORNAL I – EDIÇÃO DE FIM DE SEMANA. Não traz muitas notícias sensacionalistas: crimes, roubos, atropelamentos, e similares. Mas encontrarão uma longa série de colunas de opinião. E esta é a razão porque o recomendo

18 Fevereiro 2012

LUISA SOBRAL- "Xico"- OFFICIAL VIDEO


Uma pequena brincadeira de carnaval!
Nunca na vida tive o diminutivo de xico, mas, a língua portuguesa diz que este é o diminutivo do meu nome, assim, Ó Luísa, ando por aqui! Mas nem queiras saber onde me fui meter!

Non me agas más sofrer!

17 Fevereiro 2012

RESPEITAR A NATUREZA

No PÚBLICO de hoje. 17.02.2012, na pág. 21 da secção LOCAL, há um artigo com o título PENA DE PRISÃO PARA CRIME CONTRA A NATUREZA.

Artigo que não vou comentar, mas transcreverei alguns parágrafos, sem nada acrescentar, dado que existem sempre pormenores que proporcionam argumentos a quem carece deles.

“Crime de danos contra a natureza”… pune com prisão até três anos e traduz-se, nomeadamente, …à destruição… da flora… do habitat natural protegido…
…O promotor alegou junto das autoridades… que ali iria ser construído um resort…
…O acordo salienta que “por norma, as autoridades administrativas, nesta matéria, são passivas, lentas e ineficazes, entrechocando-se e anulando-se as respectivas competências e acções”
E enfatiza: “Basta atentar no que aconteceu no litoral algarvio nas últimas décadas (para não ir mais longe no espaço), em larga escala tomado de assalto pela construção civil.”

15 Fevereiro 2012

O desastre do costume

No Algarve, mais propriamente em Silves, fui, naturalmente, visitar o seu castelo.

E, mais uma vez, um autarca, por ventura igualmente iluminado e esclarecido, entendeu que aquela àrea precisava de uma casa de chá (!) e catrapuz! Uma intervenção "à la pólis" constrói uma aberração dentro das muralhas. Quase tão enquadradas como os cenrários na cerca de Óbidos.

E, facto que também não nos surpreende, está há dois anos sem uso, pois que a câmara não pode utilizar, e ainda nenhum privado pegou naquilo! Em Óbidos tivemos 5 anos de um apoio de praia no bom sucesso!

É absurdo que autarcas (ou sejam quem forem!) usem o dinheiro dos nossos impostos de forma inconsequente e desadequada para fazerem o que se lhes passa nas iluminadas mentes, sem o menor pudor! Hoje foram os subsídios de natal e de férias, mas o inferno destes "génios" continuam à solta! E com a mania que são visionários.

Para que o mal vença, basta que o Bem nada faça!

14 Fevereiro 2012

ARQUITECTURA PAISAGÍSTICA

Na previsão de que algum espontâneo, mesmo que sob a capa do anonimato, apareça por este espaço clamando que EU insinuei, não sei bem o que, acerca da incompetência dos arquitectos paisagistas, creio ser oportuno anular alguma afirmação que não fiz . Tentarei esclarecer.

Em primeiro lugar os dois ramos da arquitectura. Uma, a mais falada, cuida do aspecto exterior de edifícios e equipamento civil, que é o que a maioria dos cidadãos consegue apreciar, uma vez que os interiores, mesmo que tenham sido estudados cuidadosamente e incorporem soluções brilhantes e inovadoras, são poucos aqueles que os podem admirar. A outra dedica-se a embelezar a paisagem envolvente. Em princípio ambas ramas profissionais devem ter objectivos semelhantes: conseguir soluções exequíveis, a ser possível brilhantes e com um preço que esteja dentro do orçamento pretendido pelo cliente, pois eles trabalham sempre para terceiros.

É ao chegar a esta última afirmação que, em linguagem vernácula, a porca torce o rabo. Ao contrário dos profissionais de outros ramos, e porque a sua carteira de clientes é função da fama que conseguiu previamente (aquilo que chamamos de “cartel” e que não tem nada a ver com o cartel da droga). Daí que pode acontecer que, se o cliente não aplicar a rédea curta, o ambicioso projectista é tendencialmente levado a sonhar soluções espectaculares, que, em geral, custam bastante caro, ou mesmo muito. Mas é assim, trabalhando para “a curricula”, que se ganha fama e se podem conseguir prémios, medalhas, e bons clientes, entendendo por bons aqueles que, para verem o seu nome ligado àquela figura de relevo, não se importam de gastar rios de dinheiro, de preferência sem que saia do seu bolso particular.

Os arquitectos paisagísticos, apesar de navegarem por mares menos abastecidos, ou onde lhes restringem a capacidade de pesca, tem outra dificuldade. Enquanto que poucos devem ser os clientes que se atrevem a discordar de um arquitecto de primeiro plano, já para o homem das verduras e dos jardins, até um analfabeto se considera um “expert” capaz de argumentar e decidir. Caso necessite da encomenda já sabe que o seu caderno de encargos pode estar bastante delimitado, deixando poucas possibilidades de decidir ou brilhar.

Há um pormenor que devemos ter em conta. Os arquitectos paisagistas, com este nome ou com outro, existem desde centenas de anos atrás. Tal como aconteceu com a arquitectura edificada, passaram por diferentes épocas e gostos. Basta recordar a moda dos jardins geométricos, estilo Versalhes, ou os jardins ingleses, pretensamente selvagens, ou os amplos espaços relvados, as alamedas como nos jardins de Serralves, os jardins de ervas medicinais ou culinárias dos conventos, jardins japoneses estilizados. Haverá um profissional do ramo que não tenha uns modelos em vista, esquemas de jardim, seja plano ou com desníveis, ribeiras, largos ou sequeiro, com o qual gostaria de poder figurar como referência numa revista da especialidade?

O que eu pretendi dizer sobre este capítulo quando escrevi sobre o “Mau sucesso” é que, para mal dos nossos pecados - que não cometemos - entre uns e outros têm a tendência de querer moldar a natureza a seu bel-prazer. Respeitar a vegetação que encontram nem sempre é um factor que se veja seguir. Não negamos que existem projectos em que se respeitam as árvores existentes, e até que são de obrigatório cumprimento as normativas que impedem que um qualquer cidadão (“eles” não são um qualquer, como sabemos) possa mandar abater uma árvore que se tornou indesejável no seu jardim.

Uns e outros conseguem extensas memórias justificativas para os desmandos ecológicos que “são forçados a cometer”, com páginas e páginas de linguagem enredada, rebuscada, expressamente ininteligível. Sempre acompanhadas de plantas bem elaboradas, onde nunca falta uma visão futurista de como vai ficar aquele espaço (se tudo correr bem, e não deixarem no esquecimento aqueles desenhos e compromissos, que nunca lhes será exigido cumprir). Até porque eles não são os proprietários. Se receberam as suas contas já terminaram as suas responsabilidades.

COMPARAR O COMPARÁVEL

Um anónimo, que admito ser inteligente, entendeu que encontrou um caminho eficaz para me “colocar na ordem”, pelo menos quanto à consideração que o público possa ter a meu respeito.

A estratégia escolhida foi a de, em entrelinhas, mostrar que as minhas opiniões nada valem quando opostas às dos laureados Siza Vieira e Souto Moura. E será que eu pretendi criticar, ou simplesmente opinar, o trabalho destes profissionais?

Casualmente, quando cheguei à idade de escolher o curso que me atraia era o de arquitectura que, as minhas pretensões de querer expandir a vocação para as artes plásticas, e entre as quais era a arquitectura aquela que considerava o expoente máximo. E ainda a respeito imenso. Os vectores que existiam para influenciar e decidir o trajecto levaram-me para o curso de engenharia química, mais na vertente industrial do que para a descoberta de novas “mixórdias”. Mas o bichinho da arquitectura nunca morreu por completo, apesar de reconhecer não estar preparado para me meter nesta área e menos para querer dar valor às reacções, viscerais, dalguns trabalhos muito gabados e premiados internacionalmente. O meu critério não tem valor para ser considerado. Fica ao nível do que possa emitir um cidadão qualquer. Mas é o meu, para andar por casa, como os chinelos, e disso não devo nem posso abdicar.

O apontamento (demasiado extenso?) que escrevi acerca da desmatação em curso, e que não parece ter ordem de parar, não se imiscuiu, nem numa só palavra, sobre as realizações construtivas ou projectadas. Não me meti neste campo. Já não digo o mesmo quanto aos meios aplicados no terreno pelos arquitectos paisagistas (caso os tenha havido, pois que não vi paredes onde tenham limpo as suas mãos). As minhas opiniões foram simplesmente limitadas à falta de respeito pela natureza e pelas condições climáticas que tem-se mantido inalteradas nas últimas centenas ou mesmo uns milénios. Se nos atemorizam sobre a acelerada mudança que o homem (?) está provocando, então, a cumprirem-se, aquela orla marítima, tal como a totalidade das costas do globo terráqueo, sofrerá agressões que modificarão muito daquilo que nos habituamos a ver como imutável. Uma avaliação que é consequência de que a duração da vida humana, a de cada indivíduo, ser insignificante em comparação com a evolução da macro climatologia e da geologia.

A auto limitação, para opinar acerca das mais recentes linhas construtivas, tem a ver com o pragmatismo que devemos ter antes de nos lançar a rejeitar qualquer novidade. O melhor é esperar a que o tempo se encarregue de confirmar, ou rebater, as nossas opiniões instintivas. Mas, repito, nada me proíbe de ficar espantado quando num fundão perto dos limites da lagoa, salvo erro no perímetro da freguesia do Arelho, ver, de passagem e sem parar o meu carro (para não dar azo a que me considerassem bisbilhoteiro das actividades alheias) vi algo que me fez pensar nos bunquers camuflados que a Alemanha fez construir junto da costa da Normandia e Bretanha. Um comentário, este, fruto de uma ligação directa entre a visão e o estômago, que o tenho excessivamente sensível.

E por aqui me fico, sem mais comentários, não vá acontecer que aquilo venha a ser uma obra premiada, assinada por um respeitável profissional.

11 Fevereiro 2012

ESTA "GUERRA" NÃO É MINHA ?

Vou quebrar uma promessa solene que fiz ontem, primeiro a mim mesmo, sem a pronunciar, e depois de viva voz e de um modo reiterado aos meus acompanhantes. Não posso prometer ser breve. O que pretendo contar é longo, como um velório junto a uo corpo de alguém que estimávamos em vida.

Aproveitando a sexta feira de ontem , fria mas com muito sol, um pequeno grupo de amigos juntamo-nos para almoçar, com o propósito explícito de nos encontrar após umas longas semanas de afastamento, motivado por estarmos nos meses em que, tradicionalmente, se regista uma redução da vida social, e também para comentar os temas do momento. As horas dedicadas ao repasto, já previsto ser demorado e sem olhar para o relógio, foram muito agradáveis.

Já na fase da digestão alguém sugeriu um passeio campestre, utilizando os meios de locomoção pessoais. Incluiu algumas paragens pedestres com o propósito de apreciar a natureza, aproveitando aquela convidativa atmosfera, límpida e brilhante.

Admito que aquilo que nos foi mostrado não surgiu, inesperadamente, na volta de uma curva. O “guia” nos orientou para a costa atlântica do concelho de Óbidos, obviamente a sul da lagoa com o mesmo nome. Aquilo que vimos, desde o Bom Sucesso, que seria mais correcto passar a denominar de MAU SUCESSO, até chegar às Não sei quantas del Rei, é desolador. Os nossos corações gelaram, enquanto o intelecto se revoltava, com a impunidade e conivência com que se efectuaram aqueles desmontes, que são, com efeito, desmandos e crimes ecológicos de grande magnitude.

São hectares e mais hectares de terreno do qual se retirou toda a vegetação, e onde, para conseguir uma orografia nova, que permita realizar os projectos, de importância primordial, os tais PIN, deixaram uma terra totalmente estéril e que, para conseguir recuperar com alguma vegetação vai implicar tempo, esforços e despesas.

Vendo os locais, pois são mais do que um, nos referimos aos esforços históricos que foram feitos para fixar as areias, e surgiu de imediato a figura do Rei Dom Dinis, que mandou comprar penisco de pinheiro bravo, nas Landes do noroeste da França, por saber que lá tinham optado por esta vegetação para fixar as areias.

Não podemos esquecer de dar a devida atenção às características geológicas daqueles terrenos que tínhamos à frente do nariz, em comparação com aquelas dunas que foram transformadas no Pinhal del Rei, situadas entre o promontório da Nazaré e Aveiro. Nesta zona, com efeito, as areias eram, e são, de grão fino, facilmente deslocadas pelo vento, e por esta causa invadiam as terras de cultivo que tanta falta faziam à população para garantir a sua sobrevivência.

Na área visitada, pelo contrário, aquele chão é mais complexo, mais sedimentado. Ali existe o que foi um leito marinho, ou mesmo uma área de sedimentação perto da costa, mas nunca de grande profundidade, como testemunham os calhaus que se encontram com bastante frequência. Um jazido marítimo que, pela sua composição, é, sem comparação possível, mais estéril do que um leito lagunar, pois perdeu, em milhões de anos de agitação das águas, todo vestígio original de húmus, ou terra vegetal se quisermos. A pouca camada de terra fértil que se criou ao longo da sua emergência à atmosfera, foi conseguida pela vegetação rasteira da fase espontânea e, mais tarde, com a plantação de árvores pelo homem.

A fase, recente em termos geológicos, em que por ali se plantaram milhares de eucaliptos, não promoveu a evolução positiva do terreno, antes pelo contrário. São árvores de crescimento rápido, perniciosas, mas mesmo assim árvores. Ansiosas de se alimentar esgotam as terras e também as águas subterrâneas. Apesar disso fixaram as areias que, o vento característico desta orla atlântica, já tinha transportado para o interior, dando lugar ao enchimento da lagoa e à formação de dunas. Não esqueço que as águas pluviais, que a bacia da lagoa recebe vêm, quando tormentosas, carregadas de sedimentos. Mas este é outro capítulo da mesma tragédia.

Agora o que vemos é uma paisagem desolada, que parece devastada por uma guerra. Arrancam inclusive os cepos de árvores centenárias, como se fez ao destruir um parque público de merendas que, salvo erro, tinha sido preparado, tempos atrás, por uma Junta de Freguesia! A troco de quê? De dinheiro certamente. Dinheiro que permitiu conseguir pareceres de “sábios” onde se aceitava a viabilidade daqueles projectos. Redigidos por pessoas que fecharam os olhos para a realidade daquela zona, fosse por desconhecimento ou por um fechar de olhos conivente.

Para as pessoas que não têm nada a ganhar com estas actividades o que vemos é qualificado como um crime ecológico, equivalente, à nossa escala, à tão referida destruição da selva amazónica, sempre autorizada por resultados financeiros rentáveis a curto prazo.

No caso particular dos terrenos da costa Oeste, a minha experiência de vida e o conhecimento adquirido da meteorologia da zona, faz com que tenha grandes dúvidas da viabilidade dos projectos, pelo menos para aquelas pessoas, desconhecedoras e aliciadas pela publicidade. Irão encontrar, aqueles que se decidirem por se instalar aqui, os ventos fortes, os nevoeiros de verão, mais a fria humidade, o que faz com que sejam poucos e contados os dias aprazíveis. Tudo, por junto, os vai levar ao arrependimento imediato, se não ao desespero!

Concluir que, nesta situação, o problema será deles, é uma escapatória errada. Hoje, os que se consideram ludibriados não aceitam ficar calados, e a contra-publicidade já não é só transmitida de boca ao ouvido. As redes electrónicas conseguem difundir as novidades, boas ou más, à velocidade da luz. Deixaram-se convencer, ou enganar, mas não aceitam resignadamente que lhes digam “agora aguentem-se ou tentem vender”.

Possivelmente, quem leu até aqui, esperava encontrar denúncias, carnaça para debater. Não, nada disso. Não procuro responsáveis nem quero induzir a que se crie um movimento de repúdio e reclamação. Deixo as minhas palavras para serem ponderadas por parte dos leitores. Eu, quero esclarecer que já conhecia parte daquela desgraça, mas ver que não só não se remediou mas ainda se insiste em acrescentar mais ermo, deu cabo da digestão do almoço.

Tenham um bom fim-de-semana e pensem em gozar o Carnaval. Neste canto, sempre é Carnaval, com corsos ou sem eles.

10 Fevereiro 2012

Isto é tão triste....

Oiço a SIC a falar que um número de agricultores portugueses estão na Alemanha a venderem os seus produtos.

Depois relembro-me da ideia de um entreposto agrícola que para Óbidos....

E fico tão desolado por verificar que o capital para um projecto com essa grandeza e viabilidade para o Oeste foi desbaratado em festivais de narcisismo, mercados de ilusionismo e vilas de imbecilidades.

Ah... e a maior parte das pessoas aplaudiram essas ideias absolutamente ruinosas! E hoje, o país está falido, a autarquia está falida e os obidenses para lá caminham... Mas devem estar todos muito satisfeitos!

09 Fevereiro 2012

Mais uma achega

Há dias falava na despesa acrescida que representou mais um vereador. Mas acontece que temos mais 2 vereadores a tempo inteiro. Assim, e seguindo o raciocónio anterior, temos um custo, por baixo, de 31 Euros por obidense para suportar esta despesa.

Não fosse esta conclusão suficiente, é claro e evidente que o executivo camarário, com 3 vereadores apenas foi inigualavelmente mais eficaz dos que com os actuais 5. É um evidente caso como o aumento da despesa não gerou mais valias à gestão da autarquia, mas antes menor eficácia.

Outro ponto a ter em conta é o custo a Óbidos Patrimonium. Esta empresa custa, directamente, ao orçamento da autarquia qualquer coisa como  800.000,00 €. Aqui há, depois um ponto a ter em conta que é o seguinte. HÁ ainda a ter em contaas receitas que gera com as actividades que leva a efeito, pois que apenas consegue gerar um mísero lucro de 5.000 euros por ano. E estas receitas são sempre um mistério que desde 2005 ninguém conseguiu saber ao certo, ou sequer aproximadamente o seu valor.

Temos, portanto que, a mais valia dos eventos se esfumam nos custos que a OP, por si só, é. Tendo ainda em conta que para além dos 800.000,00 euros, há também muitas zonas cinzentas em que não é a OP a trabalhar, mas sim a CMO, pelo que os custos destes trabalhos não são imputados à OP, mas ao orçamento da autarquia, podemos verificar que o buraco real da OP ultrapassará, e em muito o milhão de euros.

Quem paga essa despesa directa e indirectamente são, naturalmente os contribuintes. Aqui não há milagres.

Quando perguntarem ´à Troika porque é que temos que sofrer todos estes cortes, façam um exame de consciência e tentem justificar-se porque é que preferiam andar iludidos com Sócrates, Telmos Farias e outros de igual calibre.

Para que o mal vença, basta que o Bem nada faça!

08 Fevereiro 2012

A MINHA CABEÇA, e outras coisas.

Seria redondamente estúpido se imaginasse que as minhas faculdades físicas e intelectuais estão ao mesmo nível do que nos meus 30 anos. Em todos aqueles sentidos e funções que dependem do estado da anatomia é sabido que existe uma degradação, mais acelerada a partir dos 50, e em queda livre caso se atingirem os 65. Não podemos negar isso.

Sem que possa parecer que tente defender os meus erros, sei que o apontador, tão astuto, deve entender perfeitamente que alguns foram devidos a trocas de letras, tocar involuntariamente a tecla pretendida e a vizinha, ou a insistir em ideias ultrapassadas, raciocínios errados. Utilizar estas situações para denegrir a alguém que percorreu um caminho vital mais prolongado, tampouco mostra que se possua uma inteligência muito clara e bem estruturada.

Precisamente na experiência de cada um, e mais acentuado nos velhos, existe um factor que pode ser inconveniente em demasiadas ocasiões. Refiro-me a tendência para avaliar as situações, hábitos, costumes, decisões actuais com o “sistema métrico” de outras épocas. Pode-se acertar na crítica ou rejeição, ou falhar por não dar o devido valor aos valores vigentes no momento. O que não obsta a que estes valores actuais podem ser prejudiciais, embora agradáveis, e que, grandes mudanças socioeconómicas podem conduzir a uma brutal alteração, ou mesmo um recuo, de muito daquilo a que nos habituamos.

Tratarei de explicitar o anteriormente escrito com um exemplo local.

Dei conta de alguns protestos, ou chamadas de atenção, para dois assuntos que, a meu ver, estão sendo avaliados fora do contexto actual. Num deles lamentam que o aquecimento dos balneários da piscina municipal esteja inactivo (ignoro se já funciona hoje) o que causa uma incomodidade para aquelas pessoas que se tinham habituado a frequentar este serviço público, e mesmo ocasionado desistências. Outra lamúria refere que a Câmara Municipal reduziu as contribuições monetárias que distribuía pelos grupos desportivos e recreativos de certos núcleos populacionais do concelho.

Metendo a foice em seara alheia, e sem querem defender ou culpar a ninguém, atrevo-me a opinar, vendo as coisas desde longe, e sem perder de vista o estado geral do País, que mais recortes terão que se fazer. Tem que ser uma tarefa prioritária para a C.M. de Óbidos (assim como para as outras todas e os serviços nacionais em geral) procurar reduzir, tanto quanto possível, as suas despesas, atendendo a que, inevitavelmente, o montante de receitas tem diminuído.

Aquilo que se pode comentar, e as opiniões serão diversas consoante o critério de cada um, é sobre que capítulos se aconselharia restringir, e quais os que se optaria por manter. Muito se tem escrito e falado acerca de serviços criados nos anos mais recentes que, mesmo com nomes pomposos e sugestivos, podem não ser essenciais nesta altura, mas que continuam a ocasionar despesas. Não me cabe a mim, pessoalmente, até porque não tenho elementos fidedignos para tal, e nem me interessa os ter, se as iniciativas espectaculares dão ou tem possibilidades de dar retorno, ou se esta ou aquela empresa municipal tem cabimento neste pequeno concelho, essencialmente agrícola e, pretensamente, um importante foco de turismo. Para fazer estas avaliações devem existir melhores cabeças do que a minha. Mais frescas, mais actualizadas e (algumas) pode ser que mais comprometidas. Quem sabe.

O que sei é que aquela máxima que nos avisa de que EM TEMPO DE GUERRA NÃO SE LIMPAM ARMAS, é uma falácia total. Se não se cuidar do armamento, em o manter sempre limpo e oleado, mesmo que não polido exteriormente, ele de pouco servirá. Portanto, em tempo de guerra é que se devem cuidar as armas com esmero. Do mesmo modo, em tempos de crise, a economia familiar, concelhia ou estatal, tem que ser vista com lupa.

Se recordarmos que aqueles que tem o aval para tomar decisões, foram indigitados democraticamente pela população, cabe à população o direito e a obrigação de, com a cabeça fria e medindo prós e contras, dar a sua opinião, explícita e sem receios, acerca dos temas que afectam aos habitantes do concelho. Criticar de longe, fora do lugar próprio, anonimamente ou identificando-se, não tem mais efeito do que as folhas levadas pelo vento. Um vento que carece das velas, seja de um barco ou de um moinho, para ser produtivo.

NÃO À MONARQUIA DE BRASÃO!

07 Fevereiro 2012

«Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia»

Vivemos dias dificeis. Todos o sabemos. Mas isso não serve nem chega. Se a resignação é inútil, a indignação sem objectivo não é um valor em si. É tempo de fazer. É tempo de escolher como fazer.


Fazer o diagnóstico das nossas fraquezas é fácil e não é mais do que reiterar o óbvio ululante. Dar uma esperança real é o mais dificil: perante o preocupante enfraquecer das estruturas democráticas; a visível delapidação dos valores morais na política; o estado caótico da nossa justiça e a sua aparente dependência das mais diversas forças de influência; e finalmente (e provavelmente o mais importante) uma ameaça de perda de soberania - os portugueses não têm razões para confiar no seu futuro.

Nós, cidadãos portugueses, com as mesmas preocupações com que todos vivemos, queremos dizer: há alternativa. Há soluções que contêm valores. É isso que nos une. É isso que nos move. É isso que propomos.

Perante um regime em liberdade mas em que a verdadeira democracia está ausente, torna-se urgente uma chefia de Estado independente e supra-partidária. Isto só pode ser garantido, zelado e velado por um chefe de Estado eleito pela história. Alguém que, ao olhar para trás, perceba as pegadas históricas e que nos diga de onde viemos. Alguém que, ao olhar para a frente, veja uma continuidade e não uma ruptura episódica, ditada por interesses partidários presos apenas ao espírito do tempo. Alguém que una e não exclua. Um Chefe de Estado que esteja ao serviço da Nação e que não se sirva dela. Portugal precisa de uma Monarquia. Portugal precisa de um Rei.

Nós, democratas de sempre, apelamos a uma séria discussão em torno da nossa chefia de Estado. Apelamos a que exista uma mobilização da sociedade civil em torno do debate sobre o regime que, há uma centena de anos, foi imposto ao nosso povo pela lei das armas e precedido de um grave homicídio, que nunca foi julgado. Democratas de sempre, não aceitamos que uma chefia de Estado se legitime na espuma de dogmas passados e vontades impostas, em que ao povo português continue a ser negada a possibilidade de escolher um futuro possível e digno. A razão democrática e a justiça histórica abona a favor dos nossos príncipios. Da nossa verdade.

Acreditamos que o Senhor D. Duarte de Bragança - único e legítimo pretendente ao trono português - poderá dignificar a chefia de Estado portuguesa. Pela história que representa e que nos une. Pela liberdade que garante a ausência total de facturas a qualquer eleitorado ou clientela.

Nós, mulheres e homens livres, empenhados cidadãos portugueses, das mais diversas tendências políticas e partidárias, com os mais diversos credos religiosos, decidimos dar mais este passo para que esta esperança se realize. Acreditar que temos uma agenda ideológica seria negar a independência que nos junta em torno de uma chefia de Estado. Que nos une pela diversidade e não pela opinião política. A política é uma coisa, o Rei é outra. Esta é a questão.

Portugal só poderá ser universal se as instituições mantiverem a credibilidade histórica.

Nós, monárquicos, portugueses e democratas de sempre não desistimos de Portugal.

Assinam:

Gonçalo Ribeiro Telles
Abel Silva Mota (advogado)
Aline Gallasch-Hall (docente universitária)
Ana Firmo Ferreira (publicitária)
António Pinto Coelho (empresário)
Filipe Ribeiro de Menezes (historiador)
João Gomes de Almeida (publicitário)
Ivan Roque Duarte (jurista)
Luís Coimbra (engenheiro)
Maria João Quintans (paleógrafa)
Miguel Esteves Cardoso (escritor e cronista)
Nuno Miguel Guedes (jornalista)
Paulo Tavares Cadete (gestor)
Pedro Ayres Magalhães (músico)
Pedro Ferreira da Costa (publicitário)
Pedro Policarpo (economista)
Pedro Quartin Graça (professor universitário)
Ricardo Gomes da Silva (empresário)

e eu também

Efeitos perversos

Em tempo o meu amigo Eng. José Machado, e outros, onde por acaso me incluo, dissemos que era uma vergonha que Óbidos tenha passado de 3 vereadores a tempo inteiro para 5. O custo que isso significava e a ausência de explicação da necessidade, para além do amiguismo.

Hoje cai em cima dos nossos ombros várias decisões como esta. Se um vereador custar 5.000 euros ( estou a ser muito, mas muito simpático mesmo) por mês, temos um acrescentar na despesa da autarquia, logo do estado, logo à custa dos nossos impostos, 70.000 euros por ano.

Se existem, em Óbidos 12.500 alminhas, e dessas, teremos, por ventura, apenas um terço a pagar impostos, temos que qualquer coisa como 4.500 almas pagam estes 70.000 euros por ano, ou seja cada vereador custa 15,56 euros a cada obidense.

( Eu disse 5.000, porque falei num ordenado bruto de 3.500 euros, mais 24,5% de segurança social que são 857,50 euros, mais ajudas de custo, telemóvel, carro, computador, Ipad, Iphone, Itouch, Icartão de crédito, Ialmoços, Iviagens, etc, etc, etc...)

Mas. e se calhar, já estão como o Cavaco, estão a ter que pensar nas despsas (resta saber de quem, deles ou dos contribuintes?)

E agora? Será que vai fechar o balcão de Óbidos?

Todos os colaboradores efectivos do banco, cerca de 2100, receberam ontem um e-mail com uma proposta de rescisão amigável.


Foram 2100 os funcionários do Barclays em Portugal que ontem receberam no seu e-mail uma proposta de rescisão de contracto, confirmou ao Económico fonte oficial do banco. O plano de redução de custos admite ainda a possibilidade de fechar balcões em Portugal.

Este plano de rescisões, que abrange todos os colaboradores efectivos da entidade bancária, arrancou hoje e deverá terminar em meados de Março, acrescentou a mesma fonte recusando-se porém a adiantar qual o valor oferecido aos trabalhadores para negociar a rescisão.

"São condições vantajosas. Tem grandes vantagens em termos financeiros, além disso os funcionários mantém o seguro de saúde e as vantagens no acesso ao crédito bancário. O banco disponibiliza ainda os serviços de uma empresa para a recolocação de trabalhadores no mercado. Além de uma boa indemnização financeira", acrescenta a mesma fonte.

Esta informação foi hoje avançada pelos jornais Diário de Notícias e i que avançam também que o banco admite encerrar balcões em Portugal e não exclui outras formas de cortar custos, caso o plano de rescisões por mútuo acordo não seja bem sucedido. Em relação ao encerramento de balcões fonte oficial apenas refere que "esta possibilidade, está a ser estudada, mas qualquer número é meramente especulativo".

A empresa recusa-se a falar num plano de despedimentos e explica esta medida com a necessidade de reduzir a base de custos face o contexto de contracção mundial. "Não é um plano de despedimentos, o objectivo é reduzir a base de custos do banco. A actividade bancária abrandou e o Barclays quer reduzir a sua base de custos para que possa crescer quando o mercado inverter a tendência", acrescenta.

06 Fevereiro 2012

AFINAL EM QUE FICAMOS?

Depois de ver o anúncio na Gazeta ficamos mais desorientados do que estávamos. Foi posto à venda um dos G da Foz do Arelho, aqueles que tem sido motivo de sucessivas ameaças de implosão. Só lá fui uma vez, e chegou, pois ver o vandalismo da ladroagem, que só não tinham levado o estuque e os tijolos, deixou-me o ânimo em baixo. Ali existiu algo que não cresceu de um dia para outro, e se houve compadrio ou abusos de um lado ou de outro, ou de todos ao mesmo tempo, o facto é que materialmente existe e, efectivamente, mesmo hoje tem um valor económico.

A argumentação baseada nos planos urbanísticos sabemos que vale menos do que um tostão furado, pois alteram-se ao sabor das ondas, sempre que surgem projectoss que é interessante ($$$) considerar positivamente.

O que, neste momento, me deixa indeciso é se alguém comprará este prédio, disposto a o ver reduzido a escombros, mas sabendo, previamente, que pode tirar um bom rendimento a este investimento.

Gosto bastante de gatos, mas desconfio quando só lhes vejo o rabo de fora.

01 Fevereiro 2012

AS FORÇAS QUE NOS GOVERNAM

De imediato, ao ler o cabeçalho, podemos pender a considerar como forças poderosas algumas acções humanas que, de facto, sentimos que nos pressionam. Seria uma visão meio realista e meio simbólica. Aceitando a existência deste campo de forças podemos referir com uma noção, mais ou menos concreta, as ditas forças de bloqueio; as forças conservadoras, ou as revolucionárias; as forças partidárias; a força da ignorância, etc. Uma longa lista de forças ou assimiladas a este conceito.

Para não ferir susceptibilidades quero limitar-me às forças estudadas pela física, e que nos influenciam a cada momento. A que mais afecta, e de tanto a sentir quase que a desprezamos, é a força da gravidade, que tudo domina. Desde antes de nascer que lutamos com a gravidade. Aprendemos a andar numa luta constante com esta força, como prova de imediato o mal que podemos sentir caso cairmos desamparados, seja só em andamento, ou inclusive parados.

Sem pretender esgotar a lista posso citar a força do vento. A força das marés. A força hidráulica. A força magnética. A tensão superficial; A “força do destino” e a força do intestino.

Para quem anseia que se escreva sobre Óbidos, temos aqui duas forças bem estudadas nos compêndios de física e que se sentem muito bem entre nós. Por um lado temos a força centrífuga, que é aquela que afasta os objectos do núcleo que os devia atrair. E onde se lê objectos podemos ler habitantes. Aqueles que não se escapam para se radicar fora, ou mesmo longe, terminam saindo com os pés para a frente.

Em oposição existe a força centrípeta, que é aquela que atrai o que está fora para se incorporar com o núcleo. Aqui existe numa modalidade curiosa, pelo menos se a avaliarmos fisicamente. Existe, de facto, uma atracção centrípeta quotidiana, que se observa com pessoas que trabalham lá dentro, que vão tratar de algum assunto nas repartições que por lá funcionam, ou que simplesmente desejam calcorrear a rua direita e, se decidirem, beber uma ginjinha num copo de chocolate. Todavia estes elementos entram e tornam a sair, pelo seu próprio pé, passado pouco tempo.

Comparativamente com aquilo que se conhece actualmente quanto ao que acontece no universo, a Vila é o oposto a um poço negro, que absorve, sem possibilidade de escape, tudo quanto lhe passe por perto. Uma espécie de formiga-leão em dimensão cósmica. Ou retomando a astronomia, é mais semelhante a um asteróide, daqueles que, mesmo quando brilham, vão perdendo massa no seu percurso. Inclusive pode terminar subitamente.

RESERVADO A INTERESSADOS

Pode tornar-se um texto difícil, mas creio que é a altura de lerem coisas sérias-

Virella


NOAM CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através dos media.

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
Este método também é chamado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neo-liberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE
Promover o público a achar que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Fonte do texto: Instituto João Gourlart – http://www.institutojoaogoulart.org.br/ –
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25 Janeiro 2012

VALE A PENA LER. OBRIGATÓRIO ATÉ

JÁ VIVI NESSE PAÍS E NÃO GOSTEI - por Isabel do Carmo

O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente.
Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus.
Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas.
Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico".
Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?).
Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem-comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos
para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo.

Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".
Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe.
Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.
Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta.

Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.
Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei.

E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra.
A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal

É DOS CARECAS

Que elas gostam mais! Será verdade? E os que procuram este Fórum do que é que gostam?

Podemos tentar adivinhar em função das suas entradas como participantes (deixaram de aparecer) ou comentadores (pouco comentam). Fica-se com a impressão de que só querem temas locais. Óptimo, até é natural que assim seja. E dentro de um leque temático tão abrangente o que desejam encontar? Uma versão electrónica da RIO? Pois eu não lhe encontrava graça nenhuma, mas propriamente fazia chorar de tanto rir dos disparates e da publicidade pessoal paga pelo erário municipal.

Então, será que querem denúncias’ Notícias picantes, que eles sabem melhor do que os escribas de serviço? Se for isso o que pretendem, o mais acertado para conseguir satisfazer os seus interesses é enviarem para cá as dicas pertinentes.

Nunca entenderam que se inventaram os fósforos precisamente porque acender um lume a partir de zero é muito difícil. È conveniente ter uma chama, mesmo pequena, para atear um fogo, que inclusive possa chegar a um incêndio.

Tenho dito

24 Janeiro 2012

LIBERDADE OU LIBERTINAGEM?

Esta era uma frase que “os velhos” proferiam quando eu ainda andava na minha “idade média”. Se eles vissem o que os meus olhos encontram hoje em dia!

Creio que actualmente será mais adequado falar em costumes do que em regras, pois não se nota que exista muita adesão a seguir quaisquer regras. O comportamento dos jovens e adultos nos primeiros voos sem rede, é uma mistura de ignorância, mascarada de saber electrónico; egoísmo, sem máscara de espécie alguma; e anarquismo, não por terem uma ideia do que esta doutrina política comporta mas pela sua negação a obedecer seja a quem for e o que for.

O pragmatismo nos obriga a considerar a evolução como um facto, mesmo que discordemos. O que sucede é que temos que comer muitas sopas, ou, mantendo-nos no domínio do figurativo, engolir sapos de aviário,

Existe no ambiente actual, no “ar que se respira” uma dose de sexualidade que nos parece maravilhosa, com um comportamento geral que nos faz lembrar como seria o Paraíso antes que o velhadas-mor, o Deus das barbas brancas, se fartar de tantas demonstrações de afecto sem quaisquer sintomas de conhecerem o pudor... Não evitou que corresse com eles e os deixasse fazer porcarias longe da sua vista.


VER MAIS EM
http://vivenciasdevirella.blogspot.com

22 Janeiro 2012

MUITO GOSTAM DE BOTAR DISCURSO

Não é de agora que sinto uma especial predilecção por Guimarães, e não é devido à sua fama no ramo da cutelaria, mais precisamente por dar valor, que indiscutivelmente merece, à equipa que desde bastantes anos tem trabalhado para recuperar e melhorar o núcleo antigo desta cidade.

Agora a minha curiosidade reacendeu, como era de esperar, para poder apreciar as mais recentes acções que Guimarães conseguiu realizar. Desta feita graças ao impulso de ter sido escolhida como uma das capitais da cultura para 2012. Por isso, ontem, dirigi a atenção para os canais que estavam ligados à cerimónia de inauguração.

Os anseios de falar para o público, de mostrar que se tem muito para dizer e que tudo aquilo que se disser tem muita importância, fez com que as discursatas, além de longas, fossem sucessivas. Ali só faltou falar a Coca. Aqui mudei de vez. Não mais me dirigi a Guimarães.

Será que ainda há alguém em Portugal que não tenha classificado o Cherne? Inclusive desconfio que a esposa já não o consegue ver e ouvir sem que o estômago se revolte.

Enquanto não admitir que os eflúvios apestados daquela cerimónia não se dissiparam com os ventos frios do norte, aqui, este cidadão, não pensa visitar Guimarães. Tenho que esperar um tempo de prudente quarentena, desratização e desinfestação.

O texto completo encontra-se em:

http://vivenciasdevirella.blogspot.com

21 Janeiro 2012

Capitais da cultura

Óbidos teve, algures num horizonte difuso, a veleidade de ser qualquer coisa na cultura.......

Pois.

Fiquem com a brincadeira do Junho das Artes e mais as fantasias das criatividades e outras palhaçadas. É que cultura não é exactamente isso... Cultura é um mar de tantas outras coisas..., nomeadamente cultura!

bem......

Como sabem não nutro particular agrado pelo presidente da república.

Não é de hoje... Infelizmente este meu desagrado já tem mais de 26 anos! Relembro-me da PAC e de outras ideias peregrinas.

Há um provérbio que diz: Deus não dorme....

E há pessoas em Óbidos que podiam ouvir também...... especialmente o provérbio.

18 Janeiro 2012

PROMESAS INCUMPRIDAS

Existe, do lado direito deste blogue, uma longa lista de temas que se avaliam como serem promessas não cumpridas. Bem se vê que quem fez aquele apanhado não tem muita caridade cristã, bonomia, nem compreensão. Que diabo, quem é que pode levar a sério estas demonstrações de boa vontade, que se entendeu ser necessário publicitar no intuito de levantar o moral da população. Se as promessas todas fossem para cumprir, ou tivessem um prazo de validade curto, já ninguém acreditava que teria um lugar no céu.

Mas a verdade é que dos 10.000 empregos pelo menos um já se conseguiu, a não ser que a entidade empregadora seja alguma daquelas empresas municipais, que servem para tarefas mais ou menos nebulosas.

Há uma senhora que trabalha no parque de estacionamento junto ao posto de turismo, e este é, pelo menos, um emprego que não existia, mas que fazia muita falta, pelo menos à dita senhora que se encarrega de receber ou indicar onde fica a máquina que, obrigatoriamente, se deve alimentar. O facto de que neste parque, e no outro imediatamente abaixo, por não citar o que se preparou para satisfazer a Bombeiral da Moda, a gatunagem campeia totalmente à vontade, sem que aquilo que se paga garanta uma vigilância efectiva.

Pelo caminho, tal como acontece em muitas, ou quase todas, as Câmaras Municipais de Portugal, se adjudicam a empresas, ditas de serviços, tarefas que, tradicionalmente, eram feitas por pessoal camarário. Sei que há razões económicas que aconselham esta transferência. Mas donde fica agora a parte do leão nestas mudanças de entidade patronal? E não será que da factura ainda se consegue que pingue alguma gratificação? Somos muito mal pensados. Será porque o que sabemos não nos permite ser confiantes?

O PEQUENO COMÉRCIO

É um facto incontornável que as grandes superfícies praticamente já liquidaram o pequeno comércio, pelo menos aqueles locais que chamávamos de mercearias, e que umas décadas atrás tentaram adaptar-se às novas regras ampliando a área de exposição e dando a oportunidade aos clientes de escolher, passeando entre estantes e expositores para seleccionar entre diferentes possibilidades da oferta e, mais interessante para poder amortizar o investimento, que, tal como se verifica com as grandes superfícies, o cliente acabe por adquirir artigos que não estavam na sua lista de compras a fazer, estivesse ela escrita ou mental.

Nesta fase surgiram os cartazes de mini-mercado e supermercado. Cito aqueles de área relativamente pequena, que com este esforço conseguiram sobreviver durante uns tempos. Até que a pressão da publicidade e da insistência dos empresários junto das autoridades locais, foi facilitando autorizações para instalar grandes, ou menos grandes, superfícies que, por diversas razões, se tornaram um chamariz para os cidadãos. Funcionam, em relação aos cliente, tal como uma bosta fresca para as moscas ou um campo florido para as abelhas.

Recordo com saudade as críticas do amigo Eugénio, nas Conversas Cruzadas, (enquanto que o merceeiro da rua direita optou para ficar calado. Aliás é uma pessoa pouco faladora). O referido Eugénio sabia bem que o seu tempo estava a terminar, entendendo por isso o seu negócio. É impensável que as pessoas do Pinhal ou da Da Gorda, por exemplo, se desloquem, a pé ou de burro (que já morreu) até a Vila para se abastecer. O super está mais perto e é muito mais “divertido”. Gasta mais, e não pode deixar fiados, mas, enquanto tem dinheiro vivo ou o cartão funciona: VIVA O HIPER! Para as velhas vendas ficam pequenas compras de necessidade urgente e a insistência em comprar fiado, ou esperar que algum turista entre para comprar pão, fiambre, uma lata de atum, um refrigerante ou mesmo uma garrafa, de vinho ou ginjinha; mas nunca tudo isso numa mesma conta. Os sacos agora saem quase vazios.

Insistindo no Eugénio, ele não só se referia a si próprio. Igualmente citava todos os estabelecimentos, de ramos diversos, que tinham desaparecido da Vila. Desde padaria, barbearia, talho, alfaiate, tabernas clássicas (hoje há quem pretende abrir falsas tascas, onde não há joaquinzinhos fritos nem pipis ou caracóis), papelaria, nem restou nada do que ultrapasse os múltiplos locais para caçar turistas, seja aliciando com inutilidades, bebidas ou restauração. Só estes clientes é que contam.

Será que esta situação se deve simplesmente à mudança de hábitos da população ou também quem devia defender uma Vila histórica tem olhado mais para os espectáculos do que para a sua vida real, a dos já quase inexistentes residentes? Ou tratou-se, tão-somente de deixar de lado as realidades locais, neste caso um dos factores que lhe concediam uma identidade, para tentar alcançar notoriedade a custa de sacrificar aquilo com que não se sentia afim? Decidir com a desculpa de que uma média superfície era uma necessidade imediata para a população e inclusive um passo em direcção à modernidade, como sucederá com a praça da criatividade e mais as anunciadas iniciativas do mesmo pacote. Será com isso que a Vila ressurgirá da sua agonia?

17 Janeiro 2012

ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS?

Quando comecei a vir a Óbidos, quase sempre à vila, era habitual encontrar crianças brincando na rua, muitas vezes no largo de Santa Maria. Actualmente é muito raro encontrar crianças conhecidas, a não ser que regressem da escola ou vão à catequese, e, em geral, estes não residem intramuros. Não contam os rebanhos de garotada que trazem para passeios “culturais”, com ou sem rally-papers, ou as colunas de invasores que se chegam até Óbidos quando a publicidade de eventos os empurra.

O que de facto importa é que não se estabeleceram novas famílias na Vila, e mesmo aqueles que nasceram e se criaram nestas ruas, instalaram-se fora. Será só porque não encontraram casa com condições aceitáveis cá dentro? Ou que se cansaram de ver como só existem dificuldades por parte dos mandantes quando alguém, que não tenha padrinhos, pretende fazer obras de requalificação numa casa que lhes pertence, muitas vezes da própria família?

Aquilo que não deixa de causar admiração, a residentes e forasteiros, é que seja a autarquia que não promove a renovação da população, antes a contraria. Não há ano em que não faleça mais algum idoso e deixe uma casa vazia. Desde bastante tempo atrás, e mais nos últimos anos, a autarquia exerce o seu poder de opção em demasiadas ocasiões. Compra prédios urbanos na Vila para os manter fechados, alguns mesmo abandonados, ou os recupera, por assim dizer, no intuito de alojar mais algum serviço ou departamento, que muito melhor podia estar noutro local, fora dos muros.

E não devemos esquecer os projectos, tantas vezes publicitados, de arranjar alojamentos para artistas e criadores, não se sabe bem de quê. O que não lhes passa pela cabeça é aplicar o seu saber e as suas possibilidades de fazer obras sem que ninguém os incomode, e depois colocar casas habitáveis em regime de aluguer.

Com a política que se está seguindo, apesar dos muitos alarmes que tem soado, esta terra terminará sem residentes. Fechará as portadas quando os comerciantes, e locais de restauração, atingirem o limite do seu horário. Então teremos uma terra fantasma, como Sortelha.

Virella = Virelha

Colocar os pontos nos iiis



Vale a pena ouvir porque coloca o cinema português no ponto certo.

Chama os bois pelos seus nomes. E denuncia a estupidificação da população com o benplácito dos "comentadores" e os "fazedores de opinião".